O calor extremo deixou um rastro de mortes em Rondônia nas últimas duas décadas. Um estudo nacional inédito estima que 885 pessoas morreram no estado entre 2000 e 2019 em decorrência da exposição a ondas de calor.

O levantamento foi produzido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA). Em todo o Brasil, os pesquisadores estimam cerca de 120 mil mortes por causas naturais associadas ao estresse térmico no período.

Idosos concentram maior parte das mortes

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

Em Rondônia, a população idosa foi a mais afetada. Dos 885 óbitos estimados, 630 ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais, o equivalente a 71% das mortes atribuídas ao calor extremo no estado.

Entre os moradores de até 64 anos, foram estimadas outras 208 mortes relacionadas às temperaturas extremas.

O impacto também aparece quando os pesquisadores analisam as causas dos óbitos. As doenças cardiovasculares responderam por uma parcela importante das mortes associadas ao calor, com 316 casos estimados em Rondônia. Outros 183 óbitos estavam relacionados a doenças respiratórias.

Rondônia aparece entre os estados onde o calor mais se intensificou

O estudo aponta que as ondas de calor não se comportam da mesma forma em todas as regiões brasileiras. No Norte e no Centro-Oeste, os episódios tendem a durar mais e provocar períodos prolongados de estresse térmico.

Rondônia e Mato Grosso aparecem entre os estados com maior tendência de aumento da intensidade média dessas ondas. Isso significa que, além de ocorrerem períodos de calor extremo, as temperaturas registradas durante esses episódios estão se afastando cada vez mais da média histórica.

Calor agrava doenças e aumenta risco de morte

O organismo tenta compensar o excesso de calor por meio da transpiração e da dilatação dos vasos sanguíneos. Quando a exposição é prolongada, porém, mecanismos de hidratação e controle da temperatura podem entrar em desequilíbrio.

O problema é especialmente grave entre idosos e pessoas com doenças crônicas. O estresse térmico pode agravar problemas cardiovasculares e respiratórios e, em episódios mais severos, levar à morte antes mesmo que o paciente consiga chegar a uma unidade de saúde.

O levantamento também relaciona o risco às condições sociais. Pessoas com menor escolaridade e acesso mais limitado a ambientes climatizados, moradias adequadas e serviços de saúde estão entre as mais vulneráveis aos efeitos das temperaturas extremas.

FONTE/CRÉDITOS: Reprodução