A falta de profissionais voltou a comprometer o funcionamento do Hospital Regional de Cacoal, referência em atendimento de média e alta complexidade na região. A UTI 2 da unidade foi desativada em meio às dificuldades para manter uma equipe suficiente para garantir o funcionamento do setor.

Documentos produzidos dentro da própria Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) revelam que o problema envolve não apenas a disponibilidade de profissionais, mas também a sobrecarga das equipes que permanecem trabalhando no hospital.

Em despacho de 17 de agosto, o coordenador das UTIs, enfermeiro Cristiano Ferreira da Silva, informou que a UTI 1, com 10 leitos, contava com seis enfermeiros e 20 técnicos de enfermagem ativos na escala mensal. A UTI 2, com oito leitos, tinha cinco enfermeiros e 17 técnicos.

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O documento também registra uma situação de desgaste entre os profissionais, com aumento de afastamentos por atestados médicos e preocupação com possíveis falhas na assistência. Entre os riscos apontados estão erros na administração de medicamentos, dificuldades no monitoramento dos pacientes e aumento da possibilidade de infecções hospitalares.

Direção pede suspensão de novas admissões

A situação levou integrantes da direção técnica do hospital a solicitar medidas para evitar o agravamento do problema.

Em outro documento, assinado pelo diretor técnico Claudemir Monteiro de Barros e pelos médicos André Nazário de Oliveira e Thaís Rockenbach Gaona Lenzi, são relatadas dificuldades relacionadas à falta de pessoal, além de problemas no abastecimento de água e no funcionamento da lavanderia.

Diante do cenário, os profissionais solicitaram a suspensão temporária de novas admissões nas duas UTIs adultas e o encaminhamento de pacientes para outras unidades hospitalares.

A situação é especialmente preocupante porque o Hospital Regional de Cacoal atende pacientes de uma ampla área do estado e concentra serviços de maior complexidade.

Problema antigo

A dificuldade para manter equipes médicas no Hospital Regional de Cacoal não é recente.

Em setembro de 2023, durante reunião da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Rondônia, o então deputado Rodrigo Camargo relatou que a falta de médicos havia levado ao fechamento da UTI 2 do hospital. Na ocasião, também foi apontado o risco de fechamento de outra unidade de terapia intensiva por falta de profissionais.

Em outubro daquele ano, outra reportagem registrou o fechamento de uma UTI do hospital por falta de médicos e informou que a UTI 2 já havia sido fechada meses antes pelo mesmo motivo.

Mais recentemente, em abril de 2026, o Ministério Público de Rondônia ajuizou uma ação civil pública contra o Estado para cobrar a ampliação de leitos clínicos em Cacoal. Segundo o MPRO, pacientes que já haviam recebido alta da UTI permaneciam ocupando leitos de terapia intensiva porque não havia vagas suficientes nas enfermarias.

O cenário coloca pressão sobre uma estrutura que já enfrenta dificuldades para manter equipes completas e administrar a demanda por atendimento especializado.

Impacto para os pacientes

A desativação de uma UTI não representa apenas a redução de leitos disponíveis. Em uma unidade de referência regional, a diminuição da capacidade de terapia intensiva pode aumentar a pressão sobre os demais setores e exigir a transferência de pacientes para outros hospitais.

Os próprios documentos internos da Sesau demonstram preocupação com a capacidade das equipes de manter a assistência com segurança diante do déficit de profissionais e da sobrecarga de trabalho.

A reportagem procurará ouvir a Secretaria de Estado da Saúde sobre a quantidade atual de profissionais, o número de leitos efetivamente em funcionamento, o motivo da desativação da UTI 2 e quais medidas estão sendo adotadas para recompor as equipes e restabelecer o atendimento.