Uma obra que sequer começou a sair do papel entrou no centro da disputa eleitoral em Rondônia. O Museu da Bíblia, previsto para Brasília, virou alvo de questionamentos durante o debate entre candidatos ao governo do Estado e acabou provocando uma reação da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) no Congresso Nacional em defesa do senador Marcos Rogério (PL).

A discussão começou quando o candidato Adailton Fúria (PSD) citou o empreendimento durante o debate realizado na terça-feira (1º), na Rema TV, associando Marcos Rogério ao montante de mais de R$ 14 milhões destinado ao projeto.

No dia seguinte, a Frente Parlamentar Evangélica divulgou uma nota para contestar a informação.

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Segundo a entidade, é incorreto atribuir ao senador a destinação integral dos recursos. Documentos do empreendimento apontam que Marcos Rogério destinou R$ 483.214,19 por meio de emenda parlamentar. O valor faz parte de um contrato de repasse de R$ 14,125 milhões, formado por recursos indicados por diferentes parlamentares.

A diferença entre os números é justamente o ponto central da reação da Frente.

A entidade classificou como “absolutamente falsas” as informações de que Marcos Rogério teria colocado sozinho R$ 14 milhões no projeto e afirmou que sua participação foi de aproximadamente R$ 480 mil.

A obra que virou assunto de campanha

O Museu da Bíblia foi concebido como um espaço voltado à preservação do patrimônio histórico, religioso e cultural relacionado à Bíblia.

Apesar do dinheiro previsto no contrato, a obra ainda não foi iniciada. O processo possui pendências documentais e aguarda providências do Governo do Distrito Federal. Também não houve pagamento referente ao contrato citado nas informações divulgadas pela Frente.

O projeto, entretanto, continua tendo peso simbólico para o grupo religioso que apoia a iniciativa.

Na nota, o presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado Gilberto Nascimento, afirmou que o espaço é importante para preservar o legado da Bíblia e aproveitou a manifestação para destacar a atuação de Marcos Rogério em pautas relacionadas à fé, à família e à liberdade religiosa.

A defesa, portanto, não ficou restrita à correção do valor da emenda.

A FPE também transformou a resposta em uma demonstração pública de apoio ao candidato ao governo de Rondônia, ressaltando sua atuação política em temas ligados ao eleitorado evangélico.

Da emenda ao palanque

O episódio mostra como uma obra federal localizada fora de Rondônia pode ganhar espaço em uma eleição estadual quando envolve dois ingredientes politicamente sensíveis: dinheiro público e religião.

Para Marcos Rogério, a controvérsia cria a necessidade de separar sua participação individual do valor total associado ao empreendimento.

Para seus adversários, o episódio oferece uma oportunidade de questionar as prioridades e os recursos destinados por parlamentares.

E para a Frente Evangélica, a disputa produziu uma oportunidade diferente: reafirmar publicamente sua proximidade com um candidato que tenta chegar ao Palácio Rio Madeira com o apoio de setores conservadores e religiosos.

O projeto também passa por uma possível mudança de identidade. A proposta em discussão é que o empreendimento seja reformulado e passe a se chamar Memorial Nacional da Bíblia.

Por enquanto, porém, o prédio continua inexistente — enquanto a disputa em torno dele já ocupa espaço no palanque eleitoral.