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A campanha de Adailton Fúria (PSD) chega à reta final sob o peso de uma crise que vai muito além da troca de profissionais de marketing. O que começou com a demissão do marqueteiro João Kaleche passou a revelar um problema maior: a dificuldade de manter unido o grupo político construído em torno da candidatura ao governo.
Segundo informações publicadas pelo Rondoniagora, a saída de Kaleche ocorreu depois de um episódio envolvendo a estratégia adotada por Fúria em um debate da Rema TV. A orientação teria levado o candidato a questionar o senador Marcos Rogério sobre recursos destinados à construção da Praça da Bíblia, em Brasília. A declaração acabou sendo contestada durante o debate, segundo a reportagem.
O episódio, porém, seria apenas uma parte do problema.
Nos bastidores, a insatisfação teria atingido candidatos a deputado estadual e federal que integram a mesma estrutura eleitoral. Parte deles estaria procurando outras campanhas diante da percepção de que Fúria concentra esforços em um grupo restrito de aliados.
A reportagem também aponta que alguns prefeitos estariam se afastando da campanha diante dos rumores de um rompimento entre Fúria e o governador Marcos Rocha, presidente estadual do PSD.
O aliado que ficou pelo caminho
Um dos pontos mais sensíveis da crise envolve Luis Fernando, candidato ao Senado lançado com o apoio de Rocha e da primeira-dama Luana Rocha.
De acordo com o Rondoniagora, havia um acordo político envolvendo Fúria, Rocha e Expedito Júnior para estabelecer o limite de utilização do fundo eleitoral e garantir apoio da militância à candidatura de Luis Fernando.
O acordo, contudo, teria perdido força durante a campanha.
Segundo a publicação, Luis Fernando não teria recebido integralmente os recursos previstos e também teria ficado de fora de eventos nos quais esperava participar. O afastamento teria provocado irritação dentro do grupo político do governador.
O problema ganhou outra dimensão porque Joliane Fúria, esposa do candidato ao governo, teria escolhido apoiar outro nome na disputa pelo Senado.
Para um grupo que depende da unidade política na reta final, a situação cria um paradoxo: enquanto Fúria tenta se apresentar como alternativa de renovação, antigos aliados passam a questionar justamente a capacidade de articulação da campanha.
O “novo” contra quem o colocou no poder
A relação com Marcos Rocha também entrou no centro da turbulência.
Fúria tem utilizado o discurso de que representa o “novo” na política e, em reuniões eleitorais, passou a fazer críticas à gestão do governador, especialmente nas áreas de saúde e segurança.
Em um desses discursos, segundo a reportagem, o candidato responsabilizou Rocha por medidas de restrição ao comércio durante a pandemia e afirmou que havia defendido a abertura das empresas.
O problema é que Fúria assumiu a Prefeitura de Ariquemes em 2021, já durante a segunda onda da Covid-19. A cronologia enfraquece a narrativa de que ele teria exercido papel de oposição às medidas adotadas durante o primeiro momento da pandemia.
O desgaste é particularmente delicado porque Rocha não é apenas um aliado eleitoral. Ele preside o PSD em Rondônia e participou da construção política que levou Fúria à disputa pelo governo.
Uma campanha em busca de direção
Agora, o grupo precisa decidir quem comandará a comunicação eleitoral.
Com a saída de Kaleche, Fúria terá de encontrar um novo responsável pelo marketing ou assumir ainda mais diretamente a condução da própria campanha — algo que, segundo a publicação, o candidato já costuma fazer ao se definir como uma espécie de “marqueteiro de si mesmo”.
A questão é que a crise deixou de ser apenas uma discussão sobre propaganda.
É uma disputa por espaço, dinheiro, lealdade e influência dentro de uma candidatura que precisa chegar inteira à reta final.
De um lado, Fúria tenta consolidar a imagem de candidato independente e de renovação. Do outro, aliados antigos começam a cobrar os compromissos que ajudaram a construir sua candidatura.
E, quando prefeitos, candidatos proporcionais e um nome lançado pelo próprio governador começam a procurar outras trincheiras, a crise deixa de ser apenas um ruído de bastidor.
Passa a ser um problema eleitoral.
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